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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bordado Familiar por Señorita Lylo


Loly Ghirardi é uma designer argentina residente em Barcelona. Durante o dia trabalha em frente ao computador, mas de noite saca o seu bastidor de bordado e assina como Señorita Lylo.

O seu último projeto de bordado intitula-se “Di dove sei” (De onde és) e foi realizado com as linhas Mouliné. Trata-se de uma obra nostálgica e familiar, que homenageia as mulheres da sua família, bordando sobre retalhos de tecido da roupa de cada uma, as cidades onde nasceram e onde viveram. São tecidos bordados com muitas recordações e história.


Señorita Lylo explica-nos a história desta primeira peça bordada, que aqui mostramos:

“A minha avó chamava-se Josefina, mas todos a tratávamos por avó Fina. Nasceu em 1920 na Sicília. Aos 5 anos, com a sua mãe e irmão iniciou uma aventura até à Argentina, onde os esperava o seu pai, que tinha viajado um tempo antes.


A viagem de barco durou quase dois meses… dois meses de incerteza, saudades da sua terra e dor de deixar para trás a guerra… mas ao vislumbrar a costa todos sentiram uma nova aragem e o destino da família voltava-se a escrever.

Depois de viver vários meses num convento em La Boca, a avó Fina mudou-se para uma casa na rua Magán 930, no bairro Sarandí, nos arredores de Buenos Aires, Argentina.


Nessa casa foi filha, esposa, mãe, avó e bisavó… e aí viveu até aos 86 anos da sua vida”.


Todas as moradas são composições tipográficas, que respeitam o formato dos nomes de cada uma das ruas, os números das portas e a sinalética das cidades. Uma compilação de fotografias, percorrendo novamente os bairros, compondo e copiando para os tecidos para as começar a bordar.

O projeto é composto por várias peças, começando com um pano da sua bisavó Maria da Sicília, que com a sua coragem atravessou o oceano com os seus dois filhos… passando pela sua avó Fina, que construiu o seu destino em terras Argentinas… chegando à sua mãe Alicia, que herdou o dom de cozinhar divinalmente e encher de carinho os seus filhos… até ao seu passado recente, à procura de novos horizontes em Barcelona… Bisavó, avó, mãe e filha… gerações de mulheres unidas pela paixão, por descobrir um lar e aí depositar o melhor para ser feliz.

Todas as fotos deste post são de Ameskeria.

sábado, 3 de maio de 2014

Entrevistámos a artista têxtil Manuela Grandal


Manuela Grandal é uma artista têxtil argentina, que aprendeu de forma autodidata e que trabalha com esculturas têxteis, bordado e costura. A sua obra é muito extensa e variada e quisemos entrevistá-la para que nos contasse mais sobre si.

Quando começou a trabalhar com têxteis?
A minha primeira experiência em trabalho com têxteis foi na escola primária, num curso de costura. Aí realizei o meu primeiro almofadão em patchwork, sem saber bem de que técnica se tratava, e também o meu primeiro boneco de pano. Em minha casa havia uma máquina de costura, por isso quando a minha mãe queria distrair-se do trabalho, fazia coisas para a casa ou desmanchava roupa para costurar uma coisa nova, geralmente bonecos. Nessa altura eu era apenas observadora. Em casa da minha avó havia outra máquina de costura. Foi a essa máquina que me sentei sozinha pela primeira vez. Aí explorei e aprendi muito, bebendo chá com a minha avó.


Sempre pratiquei atividades relacionadas com artes plásticas, mas só em 1998 é que comecei a trabalhar intensamente, experimentando tecidos e outros materiais.
Em 2001 nasceu a primeira boneca, que se chamou “A Jardineira”. Era uma boneca vestida para sair, que estava inserida num pequeno vaso de cerâmica. Esta personagem surgiu de uma peça de teatro, que escrevi nos anos em que estudei teatro. Nessa altura apercebi-me que a minha vocação passava pela cenografia e pela realização e por aí segui o meu caminho.


O desejo de trabalhar só com materiais nobres, sem químicos ou materiais reciclados levou-me a incluir as linhas de bordado e suplantar assim a pintura nos meus trabalhos.

Que técnicas usa principalmente? Como as aprendeu?
Uso a técnica como um meio para chegar ao que procuro. Muitas das técnicas, que utilizo, nem sei quais são, só depois aprendo o nome.

Daquelas que utilizo, as que posso nomear são a costura à mão, à máquina, o bordado livre ou costura livre, o quilting, o bordado… Também tenho experimentado técnicas de estampagem como a serigrafia, a sublimação e as tintas naturais para criar tecidos com desenhos ou texturas próprias.



Aprendi quase tudo a experimentar. Um grande impulso de realização e curiosidade levou-me a encontrar os meios para as coisas, a que me propus. Aprendi o bordado de forma autodidata, fazia o ponto em cadeia e o ponto partido sem saber de que ponto se tratava, isso vinha depois. Depois aprendi alguns pontos em livros de bordado e tutoriais na internet.

Em 2013 fiz um curso de acompanhamento de projeto com a Guillermina Baiguera e foquei-me em alguns trabalhos apenas com bordado. Atualmente estou num curso de análise e acompanhamento da obra de Teresa Giarcovich. Aí tenho experimentado técnicas de estampagem têxtil entre outras coisas…


Existe alguma técnica que gostasse de aprender?
Neste momento estou interessada em pintura por reserva ou pintura a cera com jchanting. Interessa-me como posso gerar desenhos e texturas de base e depois dar-lhes volume com o bordado e a costura. Não quero limitar-me a nenhuma técnica específica, pelo contrário, quero criar uma linguagem própria, utilizando diferentes recursos, que se entrelaçam.



Que tipo de linhas e suportes costuma utilizar?
Normalmente utilizo linhas de costura e de bordado de puro algodão e também fios de lurex e de seda. Quase nunca utilizo mais do que um ou dois cabos devido ao tamanho dos meus trabalhos.

Utilizo bastidores apenas quando bordo sobre um pano de tecido livre e prefiro sempre os bastidores de madeira. Quanto mais antigos, mais me agradam. Mas muitas vezes bordo bonecos ou objetos com mais volume, assim não preciso de suportes.


As esculturas em tecido são inspiradas em personagens reais ou são inventadas? Quanto tempo leva a fazer um retrato?
Os bonecos-retrato são sempre inspirados em personagens reais, que tenho o desejo de retratar, porque algo me chamou à atenção, geralmente pela sua estética ou por alguma particularidade que os torna únicos.


Em muitos casos são personagens reais, que as pessoas me encomendam para presente (namorado, pai, mãe, etc.).
O que mais me interessa neste trabalho, é que no geral todos são pessoas comuns, diferentes e únicas. É como tirar o cunho formal ao retrato e assim qualquer pessoa pode ter o seu.


Entre os mais divertidos que tive de fazer estão a esquiadora, a astróloga, o noivo (boneco-retrato), que se perdeu na festa e me voltaram a entregar, o cowboy e o casal gay.

E a minha preferida, Olga (de Mar del Plata), uma senhora gorda em fato de banho. Olga é o retrato de uma senhora que vi numas férias. Chamou-me à atenção o seu físico e o rosto, e acima de tudo porque não parava de falar. Esbocei-a nas férias e quando cheguei ao meu estúdio, fiz a primeira Olga com gosto. Fiz uma série de 10 Olgas cada uma diferente da outra. Venderam-se todas. E até lhe fiz uma música com o meu namorado, porque a Olga estava cheia de carisma… Pode ouvi-la aqui.


A partir do momento em que me encomendam o retrato, demoro cerca de duas semanas, trabalhando muitas horas por dia. Além da realização do retrato e do saco onde o entrego, que também é pessoal para cada um, às vezes crio cenários para fazer as fotos do retrato, que é o único registo, que fica do meu trabalho. Houve uma vez que me entusiasmei tanto com o “Ruperto el Cowboy”, que acabei por fazer um vídeo, que pode ver aqui.


Conte-nos o que ensina nos seus cursos.
Tenho um espaço, que se chama “Espacio Entretejido”, juntamente com a minha sócia (tricotadeira) Milagros. Fica numa rua dum bairro muito tranquilo, que se chama Florida, próximo da capital, mas ainda na província. Funciona como o nosso estúdio, mas também como o espaço onde damos os nossos cursos. Atualmente dou aulas de costura à mão, costura à máquina, experimentação têxtil, bordado e escultura em tecido.


Também temos no nosso atelier um espaço de loja, onde vendemos os nossos produtos e os doutros artesãos e designers e materiais para tricô, croché, costura e bordado.


Qual é o seu próximo projeto?
Tenho em mente fazer uma coleção de túnicas para mulher, onde uno o conceito de obra e de peça utilitária. Pretendo aplicar nas túnicas diferentes técnicas têxteis, como o batik, serigrafia, sublimação, bordado e patchwork, entre outros.

Muito obrigado, Manuela! Foi um prazer conhecer a sua obra e falar consigo. Se quiser ver mais o seu trabalho, visite o seu site, clicando aqui.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Entrevistámos Guillermina Baiguera, bordadora argentina

A primeira entrevista do ano do nosso blogue foi a Guillermina Baiguera, uma bordadora argentina autodidata, que faz verdadeiras obras de arte. Falámos com ela para que nos explicasse os seus projetos e motivações.


Quando e porquê começou a bordar?
Comecei a bordar há 12 anos. Estava a começar a viver os meus 20 anos, uma etapa de muita procura, desejos e exploração de coisas novas. Encontrei-me com um bastidor na mão e decidi experimentar, nunca mais o pude deixar.


Como aprendeu a bordar?
Sou autodidata, ao princípio bordava com os pontos de costura que conhecia, ponto atrás principalmente. Nessa altura o material teórico existente era escasso e eu sentia-me cómoda com os meus pontos, mas com os anos fui desenvolvendo a técnica, observando telas bordadas e vendo um ou outro livro.


Conte-nos o que é o espaço Formosa?
É uma pequena galeria, que montei há alguns anos com uns amigos. Agora estou lá sozinha, mas vou partilhando o espaço com algumas amigas, que dão workshops ali tal como eu. É onde ensino bordado. É um lugar especial com uma grande tília à porta, que está sempre aberta, quando o tempo está bom. Tudo se passa na rua, até as aulas às vezes. Está situada no bairro Colegiales, uma zona muito familiar, tranquila, longe das grandes massas.


Quais os seus pontos de bordado preferidos?
São os básicos como o ponto de cadeia, de grilhão ou de costura. Os alinhavos e o ponto atrás são os que mais gosto e os mais simples. De qualquer forma, neste momento já há algum tempo que não uso pontos de bordado nos meus trabalhos.


Como escolhe os motivos para bordar, pode explicar o processo desde o desenho até ao bordado final?
Nem sempre é igual, às vezes tenho o desenho primeiro, outras vezes não, vou desenhando com a linha diretamente. Os últimos bordados que fiz são mais rigorosos, baseados na experimentação e algumas limitações de formas como modo de criação. A geometria está presente em todos eles, mas o mais interessante é o que contém estas formas. Tramas criadas através de regras, que sigo como um jogo: qual a cor que vem primeiro e qual ou quais depois e como passam através do tecido, que não é um simples suporte. O tecido já tem determinada informação, que uso para trabalhar. O direito vai dar sempre a trama, que procuro, e o avesso é sempre uma surpresa, que vai depender das regras do jogo que segui. Tanto o lado direito como o avesso fazem parte dos meus últimos trabalhos, ambos os lados se podem ver. O processo de trabalho na minha intimidade é o que mais desfruto.


Existe alguma outra técnica, que gostasse de experimentar?
De bordado pratico muitas, porque as ensino. Fora o bordado, já experimentei outras como a costura, o patchwork, o tricô e o croché, mas nenhuma delas me interessou tanto como o bordado. Estou a fazer umas coisas em cerâmica e gostava de aprender carpintaria por exemplo, é um pendente.

 
O bordado na Argentina é popular?
Não posso dizer que seja popular. Nos últimos anos vê-se muito mais, mas definitivamente não penso que seja popular. Quando comecei a dar aulas não havia mais ninguém a fazê-lo e só conhecia algumas pessoas que bordavam. Hoje é outra coisa e apesar de a técnica ainda sofrer muitos preconceitos, há muitas pessoas que decidem praticá-la. Talvez tenha responsabilidade nisso. Muita gente que veio aos meus workshops, depois dá os seus ou encontra forma de criar algo interessante com o que aprendeu.

 
Existe alguma artista de bordado em especial que admire?
Sempre gostei muito dos bordados da Violeta Parra, uma artista chilena nascida nos primeiros anos do século XX. Toda a sua obra me fascina pela sua sensibilidade e grande intensidade. Há outros artistas que gosto e sigo, como Takashi Iwasaki, Maurizio Anzeri, Orly Cogan…


Quais são os seus projetos de futuro relativamente ao bordado?
Espero que em março finalmente saia o livro, no qual tenho estado a trabalhar há já algum tempo. É um caderno de apontamentos e não um livro convencional de bordado. Penso que tem muito a ver com a forma como dou as minhas aulas, agregando textos que leio e quero partilhar ou escrevendo eu alguns. Creio que é um pouco mais poético. Estou a preparar também uma exposição para outubro deste ano, mas não posso falar sobre isso! Entretanto continuo a bordar, estudar, experimentar e a dar também aulas.


Obrigada Guillermina, estamos atentas ao seu trabalho!
Se gostou, visite o seu site para ver mais bordados.









quarta-feira, 8 de maio de 2013

Victoria Assanalli, ilustradora apaixonada por bordado

Victoria Assanalli é argentina, vive em Buenos Aires e é ilustradora infantil. Um dia, há 4 anos, começou a bordar e nunca mais conseguiu parar. Os seus bordados são feitos com linhas antigas de seda e meadas da DMC. Se gosta deles tanto como nós, veja o seu portfólio.








quarta-feira, 24 de abril de 2013

Abertura da loja online à América Latina!

Temos uma excelente notícia para as nossas seguidoras da América Latina. Desde que inaugurámos a nossa loja online, recebemos centenas de mensagens e comentários de consumidoras de países da América Latina a pedir para enviarmos encomendas para os seus países. Não foi fácil! Todos os nossos produtos se encontram na nossa fábrica em França e cada país é um mundo, mas com grande alegria podemos dizer-lhe, após meses de trabalho, que já enviamos encomendas para os seguintes países além de Portugal e Espanha:

Argentina • Brasil • Chile • Colômbia • México

Para começar vamos experimentar nestes 5 países, que são os que apresentam maior procura. Todos os nossos produtos estão disponíveis na loja online, os mesmos que apresentamos a Portugal e Espanha.










Envio:
Como a encomenda tem de atravessar o oceano, o valor mínimo é de 50€ e a partir de 300€ os portes são grátis. O transporte realiza-se sempre por avião.

Formas de pagamento e moeda:
Os preços são em Euros e aceitamos pagamentos por cartão de crédito ou Paypal. Aqui encontra mais informações sobre as formas de pagamento.
Assim que a encomenda chegue ao seu destino, terão de ser pagas as despesas aduaneiras correspondentes a cada país. Este é um passo obrigatório para qualquer envio realizado do exterior.

Esperamos satisfazer assim as nossas seguidoras do Brasil e poder alargar brevemente a mais países da América Latina. Qualquer dúvida, estamos aqui para as ajudar.

Comece já a navegar na loja DMC online!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Entrevistámos a Adriana, designer de Miga de Pan



Entrevistámos a argentina Adriana Torres, apaixonada pelo bordado e designer de Miga de Pan, uma marca de acessórios de croché com muita projeção internacional. Perguntámos-lhe pelas suas origens, projetos futuros e preocupações. É realmente inspirador!


Adriana a bordar.

Quando e porquê começaste a bordar? És autodidata?
Em meados do ano 2008 comecei o curso de bordado de Guillermina Baiguera em Formosa, Buenos Aires, ao qual continuo a ir uma vez por semana com o grupo que se formou naquele ano. Tornámo-nos muito amigas e empreendemos alguns projectos juntas sob o nome de Rita Smirna. Há já algum tempo que andava a experimentar têxteis, tinha comprado uma máquina de costura Janome (Na costura, sim, sou autodidacta!) e bordava os primeiros bonecos de forma intuitiva.


Comecei o curso, porque queria que os meus bonecos fossem bordados. Acabava de começar o que mais tarde viria a ser a Miga de Pan.
Sou autodidata em muitas coisas, mas no bordado não. Quando comecei o curso pensei que ia só um mês para experimentar, porque não acreditava que ia ter tanta paciência. Também não fazia ideia que existiam tantos pontos de bordado para aprender! Não imaginava a importância que o bordado teria na minha vida! Desde que comecei a bordar já não consegui parar e sei que vou bordar para sempre. Descobri uma técnica que me fascina e que inclusivamente influenciou a minha maneira de desenhar.



Bordado feito pelo grupo de bordadeiras Rita Smirna.

Muitas vezes dou-me conta que estou a desenhar uma textura que é um ponto de bordado! Uma amiga, a Leonor, disse-me uma vez que sentia que numa vida passada teria sido tecedora de croché. Eu sinto que fui bordadeira em alguma vida passada.
Com as técnicas tradicionais de desenho, como o acrílico, aguarelas, lápis, colagem, muitas vezes bloqueio ou não adoro o que faço. Com o bordado sinto-me livre, sinto que não tenho limites para além do tempo.

Desenvolveste uma coleção de produtos de croché que vendes em todo o mundo, os teus bordados também são comercializados?
Os bordados vendo-os ou troco por obras de outros artistas que admiro. Estou a elaborar uma coleção muito bonita e inspiradora. Quase não tenho bordados meus, alguns também ofereci. Prefiro que estejam na mão de gente que os aprecia e disfruta em vez de estarem guardados numa gaveta.


 Bordado feito pelo grupo de bordadeiras Rita Smirna.

Os que fiz para a primeira exposição em Formosa, que bordei quando estava grávida de Felicitas, estão pendurados no seu quarto, porque foram feitos para ela. Do resto desfiz-me.

Há alguma técnica que gostarias de aprender?
Adorava aprender macramé e tecelagem, quando tiver algum tempo. Também me atrai o frivolité, mas não creio que tenha paciência suficiente para o aprender.
Arranjei um livro antigo das máquinas de coser Singer, que ensina como bordar à máquina usando o bastidor. Também quero experimentar algumas coisas com a máquina, mas parece-me muito difícil...É incrível as coisas que as mulheres faziam!


Gostava de usar a agulha mágica como vejo as raparigas espanholas fazer, mas em Buenos Aires não a consegui arranjar, procurei em alguma as retrosarias, mas ninguém a conhece.
Para além das técnicas têxteis há muito tempo que quero aprender cerâmica. Um dos projetos em que estou a trabalhar combina têxtil com cerâmica, por essa razão estou a tirar um curso para poder levar este projeto a avante, mas também porque adoro trabalhar com materiais destintos.
Desde muito nova que sonho ter em minha casa uma vasilha feita por mim. Bem, acho que chegou o momento.


Qual é o teu próximo projeto?
Um dos projetos, em que estou a trabalhar, comecei em meados de 2007, fazendo protótipos de uma ideia que tinha há já alguns anos. Fiz uma viagem à Bolívia em Janeiro de 2008 para recolher informação, materiais e inspiração. Depois de uma pausa de 3 anos estou a trabalhar novamente nele para o lançar este ano.


Também estou a trabalhar numa nova marca de produtos ecológicos, uma linha de objetos feitos com restos da indústria têxtil e outra de tecidos com linhas orgânicas. O projeto chama-se ÁRBOL. Por agora são objetos realizados em croché com ourelas de camisolas de algodão. E encho os bonecos com os recortes que as empresas cortam e deitam fora. Ainda não o lancei oficialmente, estou a trabalhar na embalagem, nas etiquetas e a desenvolver alguns produtos mais. No entanto um produto (um leão de 60 cm de altura) já foi selecionado para um Festival de Desenho em Buenos Aires (Inspiration Fest) em Novembro de 2011, para uma exposição de desenho industrial, onde são apresentados os trabalhos dos designers mais conhecidos da cena actual de Buenos Aires.
Bem, em paralelo estou a trabalhar noutros projetos, como por exemplo um conto infantil ilustrado com bordados. Mas esse está mais lento, ainda estou a esboçá-lo, não acredito que o acabe este ano.


Como é um dia de trabalho normal em Miga de Pan?
Vivemos numa casa grande, no rés-do-chão é a casa em si e no piso superior é o meu estúdio.
Depois de preparar a Felicitas para a creche, onde a deixa o pai, faço meia hora de meditação, a seguir tomo o pequeno-almoço e sento-me ao computador a responder a emails. A meio da manhã atendo alguma tecelã, elaboro algum protótipo, esboço algum produto novo ou vou comprar linhas. Às vezes vou ao banco e aproveito para ir aos correios fazer alguns envios. Ao correio costumo ir uma vez por semana.


Ao meio dia estou com a Felicitas que volta da escola e estamos juntas até às 15h, quando chega uma rapariga para tomar conta dela e eu continuo a trabalhar. Continuo a responder aos emails (Sim, são muitos!).
Nalgumas tardes tiro fotografias ou coloco-as no blogue ou no facebook. Outras trabalho em alguns dos novos projectos ou vou aos cursos de desenho ou de cerâmica.
Às sextas-feiras juntamo-nos na Formosa com as raparigas para bordar, bom, mas isso já não é a Miga de Pan…


Falemos do projecto Bosque!
Bosque é uma colecção formada principalmente por pufes e almofadões inspirados na natureza e realizados em croché. São troncos para sentar, brincar ou descansar.


Com esta coleção fui selecionada pela Ministério dos Negócios Estrangeiros Argentino e a seguir pelo júri da 100% Design London para fazer parte do pavilhão argentino juntamente com outros 6 designers, representando o meu país em Setembro de 2011.


Vou vos dar uma notícia em primeira mão (na Argentina ainda não o dei a conhecer porque estou à espera do lançamento oficial), acabo de assinar um contrato com uma companhia italiana que vai produzir e comercializar esta coleção em mais de 40 países de todo o mundo. Esta colaboração é um êxito na minha carreira profissional que me abre as portas do design industrial internacional.
Tenho de confessar que isto é muito mais do que alguma vez pude sonhar!

Adriana, estamos impressionados com a tua criatividade e o teu trabalho, esperamos ver em breve a tua coleção Bosque em Portugal. Se quiser ver todo o seu trabalho, recomendamos uma visita ao seu site.


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