quarta-feira, 5 de março de 2014

Entrevistámos Guillermina Baiguera, bordadora argentina

A primeira entrevista do ano do nosso blogue foi a Guillermina Baiguera, uma bordadora argentina autodidata, que faz verdadeiras obras de arte. Falámos com ela para que nos explicasse os seus projetos e motivações.


Quando e porquê começou a bordar?
Comecei a bordar há 12 anos. Estava a começar a viver os meus 20 anos, uma etapa de muita procura, desejos e exploração de coisas novas. Encontrei-me com um bastidor na mão e decidi experimentar, nunca mais o pude deixar.


Como aprendeu a bordar?
Sou autodidata, ao princípio bordava com os pontos de costura que conhecia, ponto atrás principalmente. Nessa altura o material teórico existente era escasso e eu sentia-me cómoda com os meus pontos, mas com os anos fui desenvolvendo a técnica, observando telas bordadas e vendo um ou outro livro.


Conte-nos o que é o espaço Formosa?
É uma pequena galeria, que montei há alguns anos com uns amigos. Agora estou lá sozinha, mas vou partilhando o espaço com algumas amigas, que dão workshops ali tal como eu. É onde ensino bordado. É um lugar especial com uma grande tília à porta, que está sempre aberta, quando o tempo está bom. Tudo se passa na rua, até as aulas às vezes. Está situada no bairro Colegiales, uma zona muito familiar, tranquila, longe das grandes massas.


Quais os seus pontos de bordado preferidos?
São os básicos como o ponto de cadeia, de grilhão ou de costura. Os alinhavos e o ponto atrás são os que mais gosto e os mais simples. De qualquer forma, neste momento já há algum tempo que não uso pontos de bordado nos meus trabalhos.


Como escolhe os motivos para bordar, pode explicar o processo desde o desenho até ao bordado final?
Nem sempre é igual, às vezes tenho o desenho primeiro, outras vezes não, vou desenhando com a linha diretamente. Os últimos bordados que fiz são mais rigorosos, baseados na experimentação e algumas limitações de formas como modo de criação. A geometria está presente em todos eles, mas o mais interessante é o que contém estas formas. Tramas criadas através de regras, que sigo como um jogo: qual a cor que vem primeiro e qual ou quais depois e como passam através do tecido, que não é um simples suporte. O tecido já tem determinada informação, que uso para trabalhar. O direito vai dar sempre a trama, que procuro, e o avesso é sempre uma surpresa, que vai depender das regras do jogo que segui. Tanto o lado direito como o avesso fazem parte dos meus últimos trabalhos, ambos os lados se podem ver. O processo de trabalho na minha intimidade é o que mais desfruto.


Existe alguma outra técnica, que gostasse de experimentar?
De bordado pratico muitas, porque as ensino. Fora o bordado, já experimentei outras como a costura, o patchwork, o tricô e o croché, mas nenhuma delas me interessou tanto como o bordado. Estou a fazer umas coisas em cerâmica e gostava de aprender carpintaria por exemplo, é um pendente.

 
O bordado na Argentina é popular?
Não posso dizer que seja popular. Nos últimos anos vê-se muito mais, mas definitivamente não penso que seja popular. Quando comecei a dar aulas não havia mais ninguém a fazê-lo e só conhecia algumas pessoas que bordavam. Hoje é outra coisa e apesar de a técnica ainda sofrer muitos preconceitos, há muitas pessoas que decidem praticá-la. Talvez tenha responsabilidade nisso. Muita gente que veio aos meus workshops, depois dá os seus ou encontra forma de criar algo interessante com o que aprendeu.

 
Existe alguma artista de bordado em especial que admire?
Sempre gostei muito dos bordados da Violeta Parra, uma artista chilena nascida nos primeiros anos do século XX. Toda a sua obra me fascina pela sua sensibilidade e grande intensidade. Há outros artistas que gosto e sigo, como Takashi Iwasaki, Maurizio Anzeri, Orly Cogan…


Quais são os seus projetos de futuro relativamente ao bordado?
Espero que em março finalmente saia o livro, no qual tenho estado a trabalhar há já algum tempo. É um caderno de apontamentos e não um livro convencional de bordado. Penso que tem muito a ver com a forma como dou as minhas aulas, agregando textos que leio e quero partilhar ou escrevendo eu alguns. Creio que é um pouco mais poético. Estou a preparar também uma exposição para outubro deste ano, mas não posso falar sobre isso! Entretanto continuo a bordar, estudar, experimentar e a dar também aulas.


Obrigada Guillermina, estamos atentas ao seu trabalho!
Se gostou, visite o seu site para ver mais bordados.









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