sexta-feira, 23 de maio de 2014

Entrevistámos Daniel Iglésias, rendilheiro galego

Daniel Iglésias é um rapaz galego que se dedica à renda de bilros, realiza peças de design e chapéus artísticos. Encantados com o seu trabalho, mandámos-lhe a nossa nova gama de cores do fio Diamant para bordado e bilros e demos-lhe liberdade total para criar o que quisesse. O resultado foi espetacular e ainda aproveitámos a oportunidade para lhe perguntar como se iniciou no mundo da renda de bilros.


Quando e porque começou a fazer renda de bilros?
Comecei por simples curiosidade, desde pequeno me chamavam à atenção as tramas nos desenhos e o som ao ser trabalhada. No meu ambiente não havia ninguém que fizesse renda de bilros, no entanto por circunstâncias da vida decidi aprender esta técnica têxtil. Ao longo da minha aprendizagem dei conta que a podia aplicar em coisas que desenhara, visto ser um produto versátil.


Como aprendeu?
Os meus primeiros passos ou como se diz na renda de bilros, os meus primeiros piques, aprendi-os com a professora Beatriz Soneira. Depois passou-se tudo em cadeia, fui tendo contacto com outros professores (Mariña Regueiro, José Llinares, Alicia Sevilla, Nieves Díaz), que me deram e me dão a conhecer diferentes técnicas e pontos de vista da renda, o que é muito enriquecedor para mim. A renda de bilros é um universo amplo e maravilhoso de técnicas e culturas, no qual ainda estou em período de descoberta e aprendizagem.

Pelo caminho da renda de bilros comecei a experimentar outras técnicas têxteis interessantes, entre elas o bordado, as bainhas abertas e o ponto de embutido, que combino com as rendas nas composições que faço. Para aprender os pontos básicos e para começar a bordar sobre os meus desenhos, contei com os ensinamentos da costureira Clotilde Vaello.

Que tipo de linha costuma utilizar?
Utilizo uma variedade de géneros, desde o algodão, que é o que mais uso, até ao cetim, seda, lã, linho, linhas metalizadas…Todo o tipo de fios que possa experimentar e origine o resultado esperado de acordo com a técnica de lavores que pretendo executar, de diferentes fabricantes e artesãos. Também a grande gama de cores, grossuras e texturas que proporciona a casa DMC.


Explique-nos que projetos realizou com as linhas DMC, que lhe enviámos.
Exclusivamente com linhas DMC elaborei estas três propostas: consistem em dois panos em forma de selo, que vêm elogiar todos os trabalhos artesanais. Este elogio é dirigido em particular às pessoas que conheço melhor e com quem tenho mais contacto, mas sem esquecer todas as mãos artesãs em diferentes campos.

Um deles apresenta a frase ou desabafo “Mamã, quero ser rendilheiro” dedicada a todas e todos os rendilheiros, que diariamente se colocam diante do seu mundo a saborear e disfrutar os seus lavores.

O outro pano também é um reconhecimento com um ditado muito conhecido, que se costuma dizer no mundo da costura, quando andas com pressa e te esqueces de usar o dedal ou simplesmente te distrais e não o usas, “Costureira sem dedal, cose pouco e cose mal.”. Alguém to diz, rapidamente te lembras de o usar, pões o dedal e ainda esboças um sorriso enquanto trabalhas.
Estas duas peças foram realizadas com as linhas Mouliné Spécial, Mouliné Métallisé, Mouliné Pearlescent Effects, Mouliné Satin e Special Dentelles. É de referir que as rendas foram realizadas com a linha branca Mouliné E940 “ Glow in the dark”, que é fosforescente, combinada com as cores da linha Mouliné e Mouliné Satin.



A terceira peça é outro dos meios em que aplico a renda de bilros. Um chapéu com base em cestaria, laço de linho com volume e três linhas bordadas a condizer com uma orquídea em renda contemporânea e tridimensional e com um ramo natural de um arbusto.

Para esta peça utilizei as seguintes linhas: Diamant em tom rosa e Mouliné Fluorescent Effects.

Gostaria de destacar que os desenhos das três peças são meus, mas muito importante, neste caso as rendas são de diferentes autores, sobre as quais me documentei em diferentes bibliografias e reproduzi segundo as minhas necessidades, para implementar nos conjuntos.


Qual é o seu projeto favorito, que tenha feito com rendas de bilros?
Todos são favoritos, tal como serão os do futuro. Cada um me proporcionou aprendizagem e muitos bons momentos, tal como um ou outro menos bom durante a sua elaboração. Penso que isto se passa com todos os trabalhos que fazes por gosto. Esta pergunta é um pouco comprometedora, mas vou destacar um de forma anedótica, apesar de todos seguirem a mesma linha com aspetos diferentes.

Realizei uma vez renda em lã para a coleção “4.0_ Contenido Manifesto” da designer Celialvarez, apresentada na XXI Mostra do Encaixe de Camariñas, 2011. Ela desenhou a coleção e pediu-me rendas de bilros realizadas com lã para combinar com as rendas de formato habitual e os tecidos correspondentes, que decidimos e estudámos a partir das suas peças. O interessante desta proposta, entre muitas outras coisas, foi ter sido a primeira vez que tive que ampliar de forma considerável a escala dos piques para poder aplicar a grossura da lã, comparativamente ao tamanho normal de uma renda de bilros. Todos os trabalhos te ensinam algo novo e embora possam parecer uma loucura, geram satisfação.



Renda de bilros feita com Mouliné Efeitos Luminosos E940 branco que brilha no escuro.

Conheces mais rapazes ou senhores que façam bilros?
Sim, sem ir muito longe, o meu professor e na minha aula andam mais dois alunos, o Manuel e o Juan. Além disso tenho dois amigos, que também estão a aprender e o tornaram num dos seus hobbies.

Nos encontros dedicados à renda de bilros felizmente a afluência masculina é cada vez maior. Não só a nível nacional, mas também no estrangeiro. A prova disso é o Simpósio Internacional de Jovens Rendilheiros realizado em Pavia (Itália), onde contactei com um dos rendilheiros de bilros provenientes da República Checa. 
Não somos muitos, mas penso que estamos bem representados.

Há gente jovem a fazer bilros? Como pensa que se poderia modernizar a técnica ou torná-la mais atrativa ao público jovem?
Nesta pergunta passa-se o mesmo que na anterior. Claro que há gente jovem, mas em medidas menores. Tentamos ter um lugar e que a renda de bilros continue por um bom caminho e com vista ao futuro.
Devido à experimentação existe uma técnica estudada e estabelecida com formas, volumes, teorias de cor, diferentes utilizações, materiais, etc. Estamos muito habituados a vê-lo interiorizado e utilizado de forma tradicional em cor branco ou cru, em enxovais, peças de decoração, no estilismo e em todo o mundo da moda entre outros.

Também é rotulado por algumas pessoas como um objeto ou uma tendência kitsch, mas à parte desta visão social genérica há jovens e não tão jovens a experimentar, estudar e criar peças com base na renda de bilros. 
Há que reconhecer o seu brilhante trabalho artístico nestes tempos, é uma pena que não seja tão apreciado a nível social.
Na minha perspetiva e pelo que me ensinaram e ensinam os meus professores, é necessária uma boa técnica de base na renda de bilros para desenvolver as diferentes técnicas e aplicar essas teorias corretamente, para a partir daí fazer voar a imaginação até onde te quiser levar. 

Muito obrigada Daniel, vamos continuar a acompanhá-lo de perto!
Entretanto pode visitar o seu blogue e a sua página do facebook para ver todos os seus trabalhos. Todas as fotos do Daniel e das suas peças são de Marcos Vigo.


Diamant é uma linha suave e resistente, ideal para bordados em relevo, com um bonito brilho, que oferece um resultado espetacular e versátil, uma vez que pode ser trabalhado em frioleiras, bilros e bordado. Agora já se pode trabalhar com 12 cores, uma vez que às já existentes se acrescentaram 6: branco, rosa, vermelho, verde, castanho e preto, todas elas 100% poliéster. A sua capa de silicone permite que deslize e não se parta. Já está disponível nas melhores retrosarias de Portugal e na nossa loja online.

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