sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Entrevista a Jubela®

Entrevistámos Joana Caetano, a artista portuense criadora da marca Jubela®, que desenha e cria as suas próprias peças inspiradas no imaginário popular português.




Como e quando começou a bordar? Fale-nos um pouco do seu percurso.

Comecei a bordar, quando aprendi o bordado tradicional de Guimarães. Foi em 2009 e desde aí nunca mais parei de bordar. Fiz um workshop de várias sessões com a mestra Maria do Céu Guia e voltei para fazer aperfeiçoamento de pontos e bainhas abertas. Fiquei encantada com o potencial do bordado livre e comecei a imaginar a quantidade de coisas que poderiam ser feitas, nomeadamente em acessórios de moda, como colares e alfinetes. Na altura não se via ninguém a fazer nada diferente do designado têxtil-lar e fiquei com vontade de transportar o bordado para outros universos. Por isso tive de praticar muito e bordar muitas horas por dia. Entretanto comecei  a dar workshops de iniciação e descobri que ensinar é muito gratificante. Criei as minhas sebentas de pontos com esquemas de pontos para esse final e desenhos da minha autoria. Li e consultei muitos livros, dediquei-me a tempo inteiro ao bordado. Já perdi a conta ao número de pessoas, que aprenderam a bordar comigo e fico muito contente por perceber que já existe muita  gente, que deu os primeiros passos comigo e se apaixonou por esta técnica.
 

Quais são os seus pontos de bordado preferidos?
Não tenho nenhum ponto de bordar que goste mais, porque gosto de todos, mas o que me deixou mais encantada foi talvez o ponto de recorte (também chamado caseado, cobertor, festão…) pelas múltiplas possibilidades que dá ao bordado. É  talvez o ponto que consigo fazer de forma mais perfeita nos corações e nas flores (porque já o fiz vezes sem fim!)


Utiliza outras técnicas no seu dia-a-dia? Qual a sua favorita?
Não tenho muito tempo para explorar outras técnicas, mas sei fazer croché desde pequena e sei o básico de tricô. Gostaria de tricotar mais e melhor, porque gostava de fazer as minhas próprias peças de vestir. Encanta-me esse lado de fazer coisas num sentido mais útil e poder tricotar as minhas camisolas, vestidos…



Que tipo de fios utiliza habitualmente e qual o seu preferido?
O fio que mais uso para bordar (e também para ensinar) é o Perlé nº 8. Aprendi o bordado de Guimarães com esse fio, que é muito macio e fofo. É um fio que dá relevo, brilho e contraste ao bordado. Mas conforme as peças e as necessidades, uso de tudo um pouco: o Perlé nº 5, o Mouliné e o BroderSpécial nº 25. Adoro as meadinhas de lã da DMC (lã Colbert) e quero experimentar fazer mais coisas com elas. Tenho uma coleção enorme de fios, mas acho sempre que não tenho cores suficientes!
Inspirei-me inicialmente na própria temática e estilo dos bordados tradicionais como o de Guimarães, o de Viana e o de Vila Verde (dos lenços de namorados).  Acho deliciosa e com enorme potencial a temática  e a história dos lenços de namorados.


Onde se inspira? Como é o seu processo de trabalho?
A inspiração pode partir dum desenho, dum tema, de símbolos do bordado tradicional, mas também de músicas ou até de um ponto de bordar. Por exemplo: quando experimentei o ponto de passajar, fiquei com vontade de o aplicar num contexto diferente dos remendos. Quando dei aulas na escola profissional em Barcelos (Modatex), não perdia oportunidade de ir à feira, que é tão rica em ofícios e peças artesanais e andei a namorar as cestas. Fiquei a olhar para as cores, a técnica e plim! – Fez-se luz! ​Era isso mesmo que ia bordar em ponto de passajar.


Quanto tempo demora a fazer uma peça?
Costumo dizer que cada peça demora o tempo que for preciso. A verdade é que depende de peça para peça e depois há os acabamentos, as fotografias, as embalagens…


 

Fale-nos um pouco desta parceria com a Gisela João e da experiência do projeto Caixinha de Música.
A Gisela João é minha amiga desde o tempo em que eu ainda não sabia bordar. Ela acompanhou a evolução do meu trabalho e também me deu os seus​ conselhos e dicas de bordadeira. Ela já me tinha pedido que fizesse uns pins bordados para o merchandise  dos concertos do CCB e da Casa Música, que foram um sucesso! Já tínhamos vontade de ​cruzar as letras e músicas das suas canções com o bordado dos  lenços de namorados e este convite para dar workshops de bordado no São Luiz foi a oportunidade ideal. Estou muito contente com este projeto, pois é sempre muito positivo que mais pessoas experimentem e percebam esta técnica. Este workshop consiste em bordar um minilenço de amor, em que a temática parte exclusivamente das letras dos poemas que a Gisela canta. Vai ser diferente, especial e a prova de que o bordado é tudo menos uma técnica aborrecida!


Quais os seus projetos para o próximo ano?
Não tenho planos a longo prazo, porque muitas vezes nem sei o que vou fazer no dia a seguir.
Mas tenho uma série de ideias que gostava de pôr em práctica, que envolvem peças de vestuário e acessórios. Este projeto​ da Jubela​ está a passar por momentos ​ um bocadinho mais​ difíceis, mas sou teimosa e persistente e não o quero abandonar, por isso o início do próximo ano vai ser com certeza de reflexão e muitas decisões!



Muito obrigada e boa sorte para o futuro, Jubela! Gostamos muito dos seus trabalhos.

Para ver e seguir o trabalho da Jubela, pode visitar o seu blogue ou seguir a Jubela no Instagram

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