quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Entrevista a Evelin Kasikov: designer que borda sobre papel




Evelin Kasikov nasceu na Estónia, mas vive atualmente em Londres, onde trabalha como designer e ilustradora.
Estudou design gráfico em Central Saint Martins e no seu mestrado desenvolveu o projeto “Bordado CMYK”, no qual tem trabalhado desde então a bordar ilustrações para clientes como a Nike, The Guardian e o New York Times entre outros.
Falámos com a Evelin para que nos explicasse a sua forma de trabalhar e como é que uma designer gráfica passou para o bordado.



Legenda: Autorretrato bordado de Evelin 

Começou a bordar, quando estava a estudar? Porque é que escolheu esta técnica? Já tinha bordado antes? Como aprendeu?

Venho da Estónia, um país com uma longa tradição de lavores. Como tal, tecnicamente sabia tricotar e bordar, mas nunca pensei que estes conhecimentos me iriam ser úteis. Há uma clara diferença entre o mundo da arte e o dos lavores, mas na Estónia ainda mais. Nunca me tinha ocorrido bordar num contexto de design. Mas quando estava a estudar na escola Central Saint Martins em Londres, comecei a ver os lavores de maneira diferente, doutra perspetiva e percebi como podem ser surpreendentes, inovadores e modernos. O meu mestrado também originou uma mudança profissional na minha carreira. Trabalhava em publicidade há 10 anos e era o momento de virar a página. O “Bordado CMYK” foi o resultado de muitas coisas: a minha paixão pelos materiais, a minha formação em design gráfico e também a liberdade de experimentar, que tive durante o mestrado. Pela primeira vez na minha carreira sentia que tinha encontrado o meu lugar.



Porque é que uma designer gráfica trabalha com têxteis e à mão? A maioria dos designers gráficos, que conhecemos trabalha sempre com o computador…

Sim, sou designer gráfica de formação, ainda que habitualmente as pessoas não se dêem conta disso quando vêem as minhas obras. Continuo a trabalhar com computadores a maior parte do tempo (também sou designer editorial e ilustradora). O bordado para mim é uma tecnologia como outra qualquer. No caso do “Bordado CMYK” é uma tecnologia para impressão mas táctil. Nunca trabalhei com técnicas artesanais por razões nostálgicas.






Borda principalmente sobre papel. Tem alguma recomendação para trabalhar sobre esta superfície?

Uso papel grosso e sem ácido. O papel fino rasga com muita facilidade. E o papel sem ácido é essencial, porque acima de tudo o bordado requer muito tempo e não vale a pena bordar sobre um papel barato, que fica amarelo com o passar dos anos. Os meus papéis preferidos são da marca Fabriano, Heritage e Canaletto. Gosto do papel liso de 300 gramas. O papel demasiado fino é impossível de trabalhar.





Que tipo de fios utiliza?

Para a maioria das peças bordadas utilizo fio de algodão torcido tipo Retors Mat e também Mouliné.




Como prepara os seus desenhos antes de bordar? Qual é o processo do esboço à obra final?

Está tudo feito no meu Mac, estou muito habituada a fazer desenhos no computador...
Os projetos comerciais começam normalmente com um briefing. A seguir tenho as primeiras ideias e faço esboços. Como designer editorial estou habituada a trabalhar com o InDesign, porque faz tudo o que preciso: linhas e formas. Com as primeiras ideias faço sempre provas com materiais e assim o cliente pode escolher o tipo de ponto e o material. O esboço deve ser aprovado antes de começar a bordar, porque depois de começar a bordar é difícil fazer alterações. É importante também pensar no tamanho para assegurar que a obra final se pode fotografar bem. A maioria das ilustrações para livros é bordada num tamanho maior que o do livro ou revista.



Qual foi o bordado maior que já fez?
Uma peça que fiz para para uma parede dos escritórios da agência de publicidade McGarry Bowen de Londres.
Era uma obra com pregos e fios, portanto não era um bordado no sentido restrito da palavra. Mas foi um grande desafio trabalhar numa parede de 6 metros de largura. Os maiores trabalhos de bordado que tinha feito eram em tamanho A1 (594x841 mm).





O que é que aparece primeiro nas suas obras, a cor ou as formas?

Desses dois elementos diria que são as formas. Frequentemente dou voltas e brinco com formas de letras experimentais. É a minha maneira favorita de passar o tempo. São só esboços rápidos a preto e branco. Os melhores desenvolvo-os em projetos bordados. 




Muito obrigada Evelin por responder às nossas perguntas, seguiremos de perto o seu trabalho!
Se quiser ver todos os seus projetos, visite o seu site aqui.

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