Mostrar mensagens com a etiqueta Bordado Típico Português. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bordado Típico Português. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de junho de 2021

O Bordado Madeira



Hoje partilhamos consigo um bordado típico português, o Bordado Madeira, um bordado tradicional do arquipélago da Madeira, como o nome sugere.

O Bordado Madeira é feito em tecido de algodão, linho, seda e organdi. Recua centenas de anos atrás, desde o século XV que o encontramos em decorações de artigos do lar e vestuário. No entanto, foi somente no século XIX que passou a ser mundialmente conhecido durante a Exposição Universal de Londres em 1851.


O Bordado Madeira tornou-se nessa altura uma fonte de rendimento muito importante para a economia da ilha. Desde então, as bordadeiras trabalham de mãos dadas com empresas da ilha para produzir o autêntico Bordado Madeira.


Depois da procura que já existia no mercado inglês, o bordado começou a ser produzido em grande escala na ilha. Miss Elizabeth Phelps (1820-1893), de nacionalidade Inglesa, filha mais velha de Joseph Phelps e cuja família mudou-se para a Madeira em 1784, é considerada a grande promotora do Bordado Madeira por ter fundado, em 1854, uma pequena escola para mulheres e meninas, onde era ensinada a técnica de bordar, com desenhos próprios de Miss Phelps (a Praça Phelps, no centro de Funchal, tem o nome desta família). Os sucessores de Miss Phelps, Robert e Frank Wilkinson começaram a exportar o bordado para Inglaterra numa escala ainda maior.



Com a grande dimensão adquirida pelo negócio, surgiram casas e exportadores especializados no seu comércio, o que alterou radicalmente o sector produtivo da ilha. O aparecimento destas Casas teve cada vez maior interesse por parte dos estrangeiros, levando à transformação do processo artesanal em industrial.


Em 1860, existiriam aproximadamente 70.000 bordadeiras na Ilha da Madeira.
 

Da roupa de cama à roupa de bebé, o bordado Madeira tem uma vasta gama de produtos com desenhos tradicionais e mais contemporâneos e continua vivo na ilha, exportando para muitos países.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Porta 605


 Como já vem sendo hábito no blogue DMC, é com prazer que divulgamos hoje um dos nossos blogues portugueses sobre lavores favorito.


O Porta 605 é um blogue criado pela Ilda Ferraz, dedicado aos bastidores de colo e aos bordados manuais.
Ilda desde cedo aprendeu esta bonita arte com a sua mãe, mas após ter entrado no mercado de trabalho foi obrigada a deixá-la um pouco para trás. Passados alguns anos e com mais disponibilidade constatou que o tão apreciado mundo dos lavores lhe caíra no esquecimento.


Foi com o propósito de contrariar esse facto que Ilda decidiu criar este blogue, prolongando assim o tempo de vida do bordado manual.


No seu blogue Ilda partilha com todos nós os seus trabalhos, feitos com bastidor de colo e vários conhecidos pontos do bordado, como o crivo, cordão e muitos outros, disponibilizando generosamente os respectivos desenhos.


Muitos parabéns, Ilda, pelo blogue e obrigada por divulgar uma das mais belas artes de Portugal!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Alinhavados de Nisa



Os “Alinhavados de Nisa” ou “Crivos de Nisa” constituem um dos principais bordados tradicionais da vila alentejana de Nisa.

Estes belos bordados têm origem numa antiga tradição, relacionada como o casamento, e segundo a qual as colchas, cobertas e lençóis da cama da noiva eram primorosamente adornados. As obras eram na sua maioria realizadas pela própria noiva, com requinte para deliciar os visitantes e provocar inveja às outras raparigas.

Até meados do século XX o ensino deste bordado realizava-se em casa de mestras bordadeiras, a meninas, que acabavam a instrução primária e aprendiam esta técnica para sua fonte de rendimento. 





Os Alinhavados de Nisa são geralmente executado sobre linho ou algodão, consoante o interesse de quem o executa. A sua característica principal é o seu aspecto rendado, resultante dos fios desfiados. Apresentam uma quadrícula rendilhada, que depois de torcida forma crivos. Os alinhavados mais utilizados são: os das carreirinhas, o da cadeirinha, o olho de peixe e o da canastra.

Os motivos mais empregues são flores, folhas, pássaros e peixes entre outros.


 Fotografias cedidas pela Editorial Nascimento.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Bordado de Terra de Sousa


O Bordado de Terra de Sousa surge no século XIX, sob a influência dos bordados de Guimarães e da Lixa e oriundo da região de Felgueiras.

Este bordado resulta da má imagem outrora atribuída ao bordado da Lixa. No passado o bordado da Lixa era de má qualidade, quase sempre feito em ponto cruz, produzido em grandes quantidades para ser vendido em praias ou feiras, pilhas de toalhas mal bordadas vendidas ao desbarato. Esta imagem negativa prolongou-se durante algum tempo, criando assim a necessidade de criar outro bordado para promover, qualificar e tornar este bordado sinónimo de excelência. 


 

Apesar de a Lixa ser a localidade com mais bordadeiras, várias outras localidades se dedicam também à produção deste bordado. Terra de Sousa é um nome antigo que está relacionado com a história do território em que este bordado ocorre.

As matérias-primas utilizadas neste bordado começaram, como muitos outros, pelo linho e algodão. Nos dias de hoje são utilizadas consoante o seu uso final. É um trabalho caracterizado por ser bordado a branco sobre branco, apesar de actualmente se começar a introduzir, os tons vermelhos e azuis.

Existe um número extenso de pontos utilizados neste bordado, geralmente incluídos em categorias como espinhas, crivos, bainhas, pontos reais, pontos de fundo ou adamascados. 


 

A característica mais extraordinária deste bordado é o alargadíssimo leque de possibilidades técnicas, que engloba mais de duzentos pontos diferentes e a elaboração de difíceis combinações, que tão bem o define.




Fotos gentilmente cedidas pela Editorial Nascimento.

terça-feira, 15 de março de 2011

Bordado de São Miguel - Açores


No seguimento da nossa abordagem sobre os Bordados Tradicionais Portugueses, viajámos desta vez até aos Açores, mais concretamente à Ilha de São Miguel.

O Bordado da Ilha de São Miguel passou a ser reconhecido em 1930, após a grande crise no mercado de trabalho feminino, que afectou a maioria das mulheres da Ilha. Neste contexto uma Senhora da Cidade tomou a iniciativa, implementando e comercializando novos modelos, mais modernos, graciosos e de fácil execução. 



Os visitantes estrangeiros e os imigrantes acabaram, mais tarde, por difundir este bordado por todo o mundo.

O bordado de São Miguel é um bordado a matiz, monocromático, que apresenta como base o azul-faiança em 2 tons. Nos dias de hoje, também já se utilizam tons de lilás e vermelho escuro, apesar de o azul continuar a ser a combinação favorita.

Os motivos mais aplicados são os trevos, cravinhos, florinhas, algumas aves, avencas e pequenos ramos semelhantes aos motivos ornamentais das louças azuis da China, nas quais este bordado se inspira.

Tem uma composição leve e delicada, com as bordaduras constituídas por três linhas paralelas, sinuosas e com motivos, que saem da mais interior. 


 
Os pontos utilizados são o matiz, o ponto pé de flor e o ponto de recorte, que se utiliza na orla sobre uma bordinha do linho voltada para o avesso, que se apara após terminado o trabalho.

Os recortes com o redondo voltado até ao extremo do tecido, executado com dois fios de Mouliné Spécial DMC de algodão em pontos lançados desiguais, tal como o bordado matiz, são também muito usuais neste bordado.



Fotos cedidas pela Editorial Nascimento

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Bordado de Caldas da Rainha



O bordado das Caldas da Rainha teve origem no tempo da monarquia, tendo sido criado pela Rainha D. Leonor (1458-1525) e pelas suas aias nas temporadas, que passavam nesta terra.

As senhoras inspiravam-se nos bordados vindos da Índia e ocupavam muito do seu tempo criando e ensinando este lavor. 


 
Os primeiros bordados eram executados com fios de linho tingidos em tons de castanho dourado ou em tons de mel através das cozeduras de chás de casca de árvores e flor de carqueja. O bordado era feito sobre o linho grosso e ligeiramente cru ou sobre linho castanho dourado e bordado com branco.

Antigamente o bordado era feito numa só cor e os pontos mais utilizados eram os pontos de coroa, ponto grilhão, o pé de flor e o de cadeia. 

Nos dias de hoje já se utilizam mais pontos, como o de formiga, o ponto ilhós e o ponto de recorte. 


 
As diferenças existentes entre o bordado antigo e o mais moderno estão principalmente relacionados com os termos de composição, no antigo é mais floral, ao passo que no mais moderno predominam as volutas, as carinhas e os passarinhos.

Para formar um desenho para este tipo de bordado, podemo-nos apoiar nos motivos principais compostos por espirais, arquinhos, carinhas, coroas, aranhiços, caracóis, pássaros e volutas. Para rematar utiliza-se franja executada num tear manual e no tom intermédio das linhas. Existem também trabalhos com bainha, sendo esta pregada com ponto pé de galo e recorte espaçado ou até mesmo com ponto grilhão.

Os materiais hoje utilizados neste bordado são o linho ou meio linho e a linha Perlé DMC Nº 8 em tons de mel, nº 435, 436 e 437.



Fotografias cedidas pela Editorial Nascimento.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fábio Carvalho - Design de Moda



Fábio Carvalho é um jovem madeirense, estudante do Curso de Design da Universidade da Madeira.

Desde cedo Fábio desenvolveu o gosto pela moda e também pelo bordado da sua terra natal, o Bordado Madeirense. 


 
Segundo o jovem talento, este bordado é uma tradição que deve ser preservada. É seguindo esta ideia que combina os novos tecidos com o bordado, aliando assim a tradição com a arte moderna.

A sua primeira colecção foi apresentada ao público em Julho de 2009 e desde então tem vindo a criar peças únicas, simples mas sempre mantendo a classe, elegância e sensualidade da Mulher. 


 
Ao longo da sua curta, mas promissora carreira profissional, Fábio já participou em vários eventos, tais como “Recicla o teu olhar 2009”, “Just Dance & Passagem de Moda”, “Glamour Night” e “Arte in Colors 2010”. 


 
No site do Fábio poderá encontrar algumas fotografias das suas colecções e até mesmo os seus croquis. Fábio apresenta também página no Facebook com fotografias do seu trabalho e informação de contacto.






sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bordado de Óbidos



O bordado de Óbidos tem origem na década de 50, quando a Sr.ª D.ª Maria Adelaide Baptista Ribeirete, natural de Óbidos, após uma longa ausência, regressa à vila e encontra em fase de conclusão os trabalhos de restauro da Igreja Matriz de Santa Maria. D.ª Maria ficou encantada com a originalidade do tecto da igreja, passando várias horas a contemplar esta arte.

Esta época não foi monetariamente fácil para os portugueses. O desemprego reinava, especialmente no sexo feminino. Sempre solidária com o próximo, esta senhora não dava descanso à imaginação, tentado encontrar uma solução que permitisse dar trabalho à população feminina da sua terra. 


 
Movida por um impulso, Dª Maria copiou os desenhos do tecto da Igreja, que tanto a apaixonavam, recriou-os e transformou-os em bordados, cujas técnicas se apressou a transmitir às outras mulheres da vila.

Nos primeiros tempos as mulheres de Óbidos bordavam e vendiam os trabalhos produzidos. Com o produto destas vendas conseguiram reorganizar as suas vidas, transformando assim a Vila de Óbidos num local mais atractivo e turístico. Como consequência as mulheres foram desviadas para outro tipo de tarefas mais rentáveis, levando este bordado um pouco ao esquecimento. 


 
Maria Adelaide Ribeirete não desistiu e com mais de 80 anos de idade, por volta da década de 90, organizou um curso, que administrou e custeou, para poder transmitir às suas conterrâneas mais novas uma arte que criara num momento histórico importante para a vila. 

 
No final dos anos 90 o Bordado de Óbidos foi reconhecido com o Selo de Qualidade com o apoio da Câmara Municipal de Óbidos, que virou a sua atenção para este bordado local, promovendo e divulgando o mesmo.

Maria Adelaide Ribeirete faleceu entretanto, deixando, no entanto, um importante legado para a posteridade. 



Fotografias cedidas pela Editorial Nascimento.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...